Plano nacional de IoT – Agrobusiness

Plano nacional de IoT - Agrobusiness

No dia 26 de julho (2019), foi instituído o Plano Nacional de Internet das Coisas e criada a Câmara de Gestão e Acompanhamento do Desenvolvimento de Sistemas de Comunicação Máquina à Maquina e Internet das Coisas (Câmara IoT), através do decreto presidencial 9.854/2019.

A agricultura é uma das áreas priorizadas pelo Plano, ao lado da saúde, cidades e indústrias. E, ao que tudo indica, as novas diretrizes estratégicas para a IoT no campo brasileiro serão fundamentais para alavancar a transformação digital das fazendas e elevar ainda mais a produtividade.

Até 2025, a IoT deve acrescentar de 34 a 132 bilhões de dólares à nossa economia e, segundo o BNDES, quatro principais áreas serão responsáveis por ativar esses investimentos, exatamente as mesmas que o Plano Nacional de IoT prioriza (cidades, indústria, saúde e agricultura).

Dados publicados pelo relatório IoT Barometer, da Vodafone, apontam que 95% das empresas brasileiras entrevistadas direcionaram mais esforços financeiros à Internet das Coisas, em 2018, quando comparado aos 12 meses anteriores à pesquisa. Isso representa 14 pontos percentuais a mais do que a média mundial.

Especialmente no que se refere ao agronegócio, as estatísticas são ainda mais promissoras. Entretanto, persistem importantes desafios que precisam ser superados com o máximo de agilidade para que todo o potencial do campo seja valorizado.

As barreiras estruturais no agro

Embora o panorama do agronegócio brasileiro seja bastante promissor, há ainda importantes barreiras estruturais a serem vencidas.

Em comparação a outras realidades mudo afora, a produção brasileira mostra-se muito custosa. Estamos, por exemplo, em quarto lugar no ranking mundial de maiores consumidores de defensivos agrícolas por hectare – utilizamos o dobro da quantidade dos canadenses. Além disso, apenas no mercado lácteo, temos uma eficiência 2,5 vezes menor que a norte-americana e 6 vezes menor que a de Israel, um país cercado por desertos e condições adversas.

Justamente para combater essa discrepância, e melhor aproveitar as características positivas do território brasileiro, as novas tecnologias de IoT mostram-se tão fundamentais. Ao serem bem orquestradas junto à iniciativa público-privada, será possível remodelar aspectos estruturais de nosso ambiente rural, corrigindo desvios históricos que ainda comprometem nossa eficiência produtiva.

Principais desafios do agronegócio brasileiro

Estudos prévios ao Plano Nacional de IoT mapearam os principais entraves ao agronegócio brasileiro. Entre eles, destacam-se:

  • Logística e armazenamento ineficientes
  • Baixa profissionalização do trabalhador rural
  • Infraestrutura deficitária de conectividade

No Brasil, quase metade dos gastos com alimentos vem dos custos de transporte. Dados do US Department of Agriculture (USDA) mostram que esse valor é muito menor nos Estados Unidos – apenas 11%. Isso se deve às péssimas condições de nossas rodovias e, sobretudo, ao modelo desenvolvimentista que não fomentou outros meios alternativos, como as ferrovias.

A baixa qualificação profissional na área rural é um outro importante problema a ser superado. Dados do IPEA apontam que a maioria dos trabalhadores do campo tem apenas quatro anos de formação escolar. Diante desse panorama, a entrada de novas tecnologias torna-se mais desafiadora em razão da necessidade de profissionais mais gabaritados para manipulá-las.


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